Se você estiver pensando que dei o nome ao blog por causa do filme, está enganado. Meia noite é quando você sabe que viveu um dia e está prestes a viver mais outro. E, quando a meia noite chega, você percebe ser possível viver dois dias de cada vez. Dentro de casa, os únicos ruídos são os da sua cabeça. Nada de carros, buzinas ou sirenes. A TV e as músicas são suas amigas. A xícara de café vai ser sua companheira. Meia noite: o horário ideal para se começar um novo dia, mesmo que insone.
Estão todos aí?
Todo jornalista, todo escritor, todos que se propõem a publicar seus textos são vaidosos, narcisistas por excelência. E eu sou um deles - um narcisista inseguro. Por isso, resolvi postar em vez de me prostrar. A idéia de “Por Volta da Meia Noite” surgiu para compartilhar devaneios, reflexões e amenidades com quem estiver disposto. Mas por favor, não leve me leve a sério. Todas essas palavras são despretensiosas, embora eu não as esteja jogando ao vento.
Logo acima, escrevi idéia porque tenho até 2012 para me adaptar às novas regras ortográficas, então, acostume-se com a escrita dentro e fora dos padrões.
Por falar em palavras, não me lembro se li, ou se alguém me disse que um escritor tem 15 páginas para te convencer a ler seu livro. Se depois disso você não sentir atração pelo texto, parta para outro (livro ou escritor).
Aqui não existirão livros. Digitarei 500, mil, cinco mil caracteres (textos enormes, se pensarmos que a nova moda são os 140 toques por postagem), portanto, não hesite em parar de ler caso o primeiro parágrafo não agrade. Vá para outro texto, outro blog, ou então, vá para a puta que pariu.
Uma das máximas de Nietzsche: “O pensamento do suicídio é um forte consolo: com ele atravessamos mais de uma noite ruim.” Já passei inúmeras noites péssimas (de várias maneiras), até porque sou notívago. Não nego que concordo com o filósofo alemão, apesar de nunca ter pensado em me matar. Sei que esse assunto é complicado. Falar sobre suicídio é como dizer pra sua namorada que ela deveria pensar em comprar uma calça jeans um número maior. Tabu!
Quando a professorinha Lu (que depois virou atriz pornô) se matou em dezembro do ano passado, voltei a pensar um pouco no assunto. Época de natal me deixa meio deprimido. Não gosto dessa loucura de fim de ano. O povo comprando como se nunca mais fosse ter nada, comendo como se fosse a Última Ceia (o que é uma insensatez, pois no natal os cristãos comemoram o nascimento de Cristo), coisa e tal.
Com relação ao suicido, disse que voltei a pensar no assunto porque dou moral pra quem consegue abrir mão de tudo e ir embora pelos seus próprios meios. É covardia? Coragem? Julgue como achar melhor. Porra, já estou me perdendo no assunto, só pra variar. O que quero dizer é o seguinte: se estiver muito deprimido e com umas na cabeça, não escute certas músicas (as chamo de suicidal songs). Elas são perigosas, xará. Se você estiver em um prédio alto, vai pular. Se estiver com uma arma, vai puxar o gatilho. Se essas opções não servirem, vais arrumar outro jeito de encenar seu último ato.
Classifico algumas músicas como suicidal songs não pelo teor de suas letras ou por causa da melodia, é algo totalmente pessoal e aleatório. Coisa de sentimento mesmo. Última observação: acho todas sensacionais! Escuto sempre. Abaixo, uma pequena amostra, já que a lista é bem extensa. Coloquei em ordem alfabética pra não parecer que tenho preferência por alguma. Escutar ou não escutar, eis a questão.
The Black Keys – "Have Mercy On Me" Black Sabbath – "Planet Caravan" David Gilmour – "Red Sky At Night" The Doors – "Riders On The Storm" Interpol – "Pace Is The Trick" Interpol – "Untitled" Jefferson Airplane – "White Rabbit" John Lee Hooker – "Annie Mae" John Murphy – "The Surface Of The Sun" Johnny Cash – "Hurt" Leonard Cohen – "Waiting For The Miracle" Mark Lanegan – "Ressurection Song" Morphine – "Swing It Low" Morrissey – "Everyday Is Like Sunday" New Order – "In A Lonely Place" Nick Cave & The Bad Seeds – "Let The Bells Ring" Peter Gabriel – "Black Paintings" Pink Floyd – "The Great Gig In The Sky" Rubyhorse – "Fell On Bad Days" Ry Cooder – "Paris, Texas" Soulsavers – "Kingdoms Of Rain" Steppenwolf – "The Pusher" Ten Years After – "A Sad Song" Thomas Newman – "Saeta"
E, pra terminar, a maior banda de todos os tempos no quesito suicidal:
Joy Division – qualquer uma
Agora, caso você queira deixar esse texto soturno um pouco mais leve, faça o seguinte: inclua qualquer música de axé, de bandas emo, do Calypso e do Padre Fábio de Melo na categoria suicidal songs. Escolha o que achar melhor...
Uma das piores frases que alguém pode dizer: “Ah, eu ouço de tudo.” O escambau! Quem ouve tudo não ouve nada. Ser uma pessoa eclética tudo bem, agora, o tal do ouvir tudo, ou ouvir de tudo? Isso me tira do sério, mas hoje percebi que a língua é o chicote do corpo.
Meu iPod está praticamente cheio. Só posso usar mais 4GB (caso tire os vídeos, fotos e as capas dos álbuns, a capacidade sobe pra pouco mais de 7GB). Tenho 22.675 músicas no brinquedinho desenvolvido por Steve Jobs. Venhamos e convenhamos: ele é minha discoteca. É impossível ouvir esse tanto de música sem fazer algum tipo de seleção. Por isso, crio minhas playlists. Tenho várias. Estão divididas por décadas, estilos, duração, artistas semelhantes, etc.. Ah, também têm aquelas criadas pelo Genius (uma besteirinha do iTunes).
Outro dia, montei uma que me espantou! Sou realmente eclético? Um barango? Ou um sem noção? Olha isso:
Não vou entrar no mérito da qualidade das músicas. Se eu gosto, ponto! Mas é muito estranho! Entre uma música e outra, parecia que eu tinha acabado de ver um filme com o Chuck Norris e ia assistir a um doGodard. Ou então, sair de "Missão Impossível II" e entrar em "Festa de Família"(aquele, do movimento dinamarquês Dogma). Cacete! Jazz, hard rock, indie, glam rock, blues, pop e brega tudo de uma só vez? Como diria um grande professor: uma geléia musical. Um viva às playlists!
PS:Walking After Midnight ficou muito famosa na voz de Patsy Cline. Eu, particularmente, não gosto, mas aconselho que procurem as versões do Cowboy Junkies. Elas estão nos álbuns “The Trinity Session” e “Trinity Revisited” – este último, lançado no começo do ano. Uma boa compra, pois é um pack CD+DVD e o preço é honesto. Quem preferir, também pode procurar a versão da Madeleine Peyroux, no álbum “Dreamland”. Na minha opinião, o melhor disco da canadense que todos gostam de chamar de nova Billie Holiday. Coisa de crítico sem imaginação.
Sou uma farsa.
Sou autêntico.
Um romântico incapaz de demonstrar emoções.
Sou de uma frieza quase glacial.
Sou um observador, boêmio e vagabundo.
Um mentiroso.
Me transformei em algo que você esperava de mim.
Quando eu realmente me descobrir, quem serei?